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Na minha existência tantos Nortes virei a Sul
nos dias sem fim em solidão enterrados.
Passos à deriva, sem rumo no olhar,
pedras brancas em sangue pisadas…
Caminhar deambulado ao sabor do vento.

Fiz do delírio a voz de confidências,
das árvores companheiras do infortúnio,
da noite conforto de não ver o corpo
em que, involuntário, ainda habito…
Vezes sem conta me perdi de mim.

Deixei-me abandonado nas bermas dos atalhos,
vagueei neste respirar que é o meu,
nas tempestades procurei a tranquilidade.
Fiz do deserto que no peito trazia,
campo verde prenhe de esperança.

Das cicatrizes que me lavram a alma
faço, hoje, roteiro sinalizado de viagem.
Se a vida é assim este tempo em nós,
que ninguém me peça certezas;
Nunca as tive… Não as quero ter!
Ainda pelo meu caminho me pergunto.

António Patrício

Não as quero ver!

fotografia de Clay Butch Benskin (EUA)