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Herança

Inspiro o cheiro das palavras de outros poemas,
morada de acolhimento para caligrafias sentidas de outros artífices.
Floração perene de outras almas de outros sentires, memórias;
Sementeiras sempre prontas a ser colhidas, saboreadas…
De sabor amargo da seiva bruta que lhes dava forma ao doce mel de uma um verbo que lhes envolve a pele.
Tantos.
São tantos.
Ler, ler as margens ou o coração de outros que lançaram a palavra
como semente ao vento
para todos, um dia; qualquer dia; colherem e aprenderem a lavrar
no seu peito os amores, desamores… outras desinquietações,
ou aquele barco que nunca o chegou a ser porque se finou encalhado na palavra salgada que ficou por dizer.

António Patrício Pereira

Herança

fotografia / Ivan Pinkava (Checo)

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