Adiar a morte

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O fim das horas
mostra-nos no dorso
as feridas rasgadas por um tempo
que nos passou pela pele…
No chão incendiado tombam desamparadas
as mãos
pedras espalhadas ao acaso.
Na garganta vamos levando o peso da vida
que nos sufoca
até o sangue ser
como uma faca cravada nas têmporas;
Retesamos os tendões
e sentimos romper a sombra do dia em nós.
Resta-nos as gargalhadas para matar as trevas
que transportamos, assombrados, no olhar;
E amanhã inventaremos outras nervosas lutas
para adiar a terra
onde os insectos nos corromperão a carne.

António Patrício Pereira

fotografia / Katia Chausheva (Bulgária)