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Não sei quantas vidas
já perdi neste tempo diminuto
em que sou.
Nem, tão pouco, sei se das mortes
ainda me sobra alguma.
Sei que quando encerrar de vez o rosto
dos vislumbres da existência
nascerá um passado
de rendidas palavras, impunes rumores…

Sucumbe o corpo,
seca a carne nos ossos.
De pouca serventia são as palavras
para os mortos que tudo ouvem…
Pobres são os que vivendo
nada ouvem por tanto querer;
Ébrios por um tempo que lhes
está colado à pele,
absurda aparência de vida.

António Patrício Pereira