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No ventre da escuridão,
ensurdecedor silêncio,
habita a centelha da dúvida.
Imóvel, solitária
desfia lentamente as horas
em finas linhas.
Pensamentos desabitados
de lucidez,
que a incerteza corrói,
ácida dormência.
Correm as sombras
em sobressalto constante.
Movimento irreflectido,
imaginado pavor,
de grosseiros esqueletos
habitado,
nos panos escondido.
Recolhem-se as palavras
num sussurro vão.
Desesperada vigília,
matriz do dia nascente,
alfobre de prantos
que a noite decidiu.

António Patrício