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Da terra nascem homens,
rudes verdades semeadas
ao acaso em ventres trigueiros.

Pele curtida em dias de luz,
corpo magro que a força é bruta.
Rasga o sulco prenhe de esperança.

Costas vergadas ao peso do jugo,
semente dada ao vento,
repetidos são os gestos ancestrais.

Searas verdes de vida parida.
Densa a seiva ao solo roubada,
imóvel é o tempo que amadurece.

Tombam as loiras espigas,
às mãos brutas do mortal,
pela lamina do engenho.

Entre panos brancos e rezas
Nasce o pão… Morre o homem.
Da terra nascem…

António Patrício