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Abro olhos
como quem abre uma janela.
Debruço-me 
e deixo a luz inundar-me o sangue.
Ergo as mãos…
tento segurar o calor da manhã nos meus abraços incertos;
Erro o tempo
que trespassado pelos ponteiros do relógio
jaz no canteiro desolado;
Árvores nuas espetam os ramos descarnados
no vazio azul do dia
e um cão velho,
enraiza os sonhos de um sono fundo
na terra ausente.
Sigo o vento e espero como quem espera sem tempo;
Invento-me.
Conspiro com a vontade os movimentos do corpo…
E embarco,
de pé, mais uma vez, neste navio que é a vida.

António Patrício Pereira

fotografia D.R. Kovic

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