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Ronda a consciência,
faz dos vivos mortas almas.
Esgueira-se rente aos muros,
peçonhento,
para abocanhar os corpos.
Flui, medonho, pelas árvores
despidas… espectros grotescos
da nossa memória.
Rouba o ar,
estilhaça os pulmões.
Oculta-se por debaixo das unhas;
Prende os gestos e a voz.
Sibila, confundindo-se com o vento.
Sobressalta o sono
nas noites de sombras densas.
Pasta na pele dos inocentes
que de olhos abertos não vêem a luz do dia.
Toma o ser,
rasga as entranhas em lentidões
dolorosas…
E se um humano grito se ouvir..
ele lá está,
hálito fétido
que nos molda a lucidez e a razão.

António Patrício Pereira

Medo

pintura / Sarah Jarrett (Reino Unido)

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