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Já o dia arruma a banca
dos sorrisos iluminados;
Há no ar um ambiente frágil, vítreo;
Um silêncio estático.
A Terra fica suspensa, abranda o respirar…
Recolhem os homens o coração no peito,
vão cessando as vozes,
as palavras tornam-se breves.
No azul, agora, pálido, só as andorinhas
riscam a transparência do céu,
só elas guardam o nome dos dias…

Já lá vem a noite talhada
num corpo de incertezas,
alimento de longínquos temores
que nos assaltam, traiçoeiros, a existência.

António Patrício

Frágeis transparências

fotografia de Vicky Slater (Reino Unido)