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Há um silêncio que entra pelas paredes
de granito tosco
só quebrado pelas palavras solitárias
de uma humana voz;
Rouca revisitação de horas longínquas;
Contabilidade rezada das dores vividas,
lágrimas de alegrias esquecidas.
Lá fora uma ave nocturna
chama a madrugada num lamento lúgubre
de pena ferida.

Sem a luminescência do fino filamento
cresce a sombra
que engole as paredes, a consciência;
Começa a perder o tempo dimensão
e ao Homem,
de ossos estáticos,
a respiração abranda na penumbra do vazio,
nos sonhos vergados ao peso da existência.
Na rua estreita
as casas são como velhas barcas encalhadas
no empedrado esperando novas partidas.

Amanhã,
se os deuses permitirem,
voltará o Homem à inconsciente ilusão
de ser gente;
na crua esperança
que a vida lhe cubra
os dias nus.

António Patrício Pereira

Uma voz esquecida na noite

fotografia / Daniel Blaufuks (Portugal)

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