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Na liturgia das palavras esperamos
aquilo que o tempo nos dá.
Esperamos um dia a seguir ao outro… inocentes.
Perdidos nesta doença de existir;
Fantoches de uma vontade que nos é estranha,
senhores de um reino imperfeito,
neblina opaca dos nossos arrabaldes.
Vagos vultos de um crer sem culpa.

Vamos mantendo a máscara de bons actores,
Representamos, por destino,
a utopia dos dias.
Teimamos em vão levar o corpo
que nos dá a sombra e o ser;
Matéria incerta que espera a luz divina
duma vida cumprida…

Esperamos!

António Patrício Pereira

Speramus

fotografia / Ernesto Bazan (Cuba/Itália)