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Pensava que as maçãs da fazenda da avó eram as mais doces da Terra;
Guardavam a água no seu interior e o Sol, que lhes adocicava a polpa, dava-lhes uma cor viva… corações espalhados, ao acaso, pela ramagem verde forte.
Para lhes chegar tinha de esticar o corpo que a idade ainda lhe era curta e a macieira parecia-lhe gigante.
E as maçãs? Que grandes eram!
Do tamanho das suas pequenas mãos em concha.
Um dia, para seu espanto, cresceu-lhe o fato e a árvore que de tamanhos lhe parecia era agora mais pequena… mas elas, as maçãs, lá estavam, vermelhas, perfumadas e doces; boas de trincar. Fruto generoso de uma Terra com tempo nas entranhas.
Hoje a fazenda é uma memória que se vai desfazendo no pó da vida, a avó uma saudade que traz consigo e as maçãs compra-as no supermercado…
Mas são todas muito pequenas, não lhe enchem uma mão quanto mais as duas em concha.
Já não é o Sol que as amadurece em vagares de paciência.
Já não sabem à Terra que as alimenta.

António Patrício Pereira

fotografia / Lenka Gábelová (Eslováquia)

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