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Gostava de sair à rua
e deixar a sombra em casa,
no armário dependurada,
junto dos cachecóis e das gravatas.
Não sentir a sua companhia disforme;
Escorrência que dobra
as esquinas,
rasteja pelo chão,
na tentativa vã de me tolher os passos.

Abandonar-me em todas as artérias.
De liberdades caminhar o olhar
e ir descobrindo
o rumor silencioso do sangue
que alimenta as árvores.
Não ler em cada muro,
em cada parede,
em cada pedra da calçada
a imaterial projecção do corpo
que transporto à luz do dia.

Esquecer o pálido eco do que sou,
adiar a consciência
da minha condição de animal
que vagueia em fuga
pela vida.

António Patrício Pereira

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