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Se a dor
gritasse garganta fora
o ácido
de que é feita…
Se pudesse ser escarrada
na sarjeta
como um pedaço de vida amargo
que nos azedou a boca.

Se a dor sangrasse
de punhal trespassada e morresse
calando as noites espessas
que nos pesam nos ossos
como gélidos cadáveres
e nos deixasse sozinhos
no sossego quente do
sangue que nos alimenta a carne.

Se, ao menos, pudéssemos
escolher a dor
para nos amortalhar o peito…

António Patrício Pereira

Se a dor morresse

fotografia / Irma Haselberger (Áustria)

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