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Quantos enganos trazes tu
nas palavras que não dizes…
Puseste o mar, a terra entre nós;
Construíste silêncios de sal
no deserto árido onde te escondes.

Como se houvesse distância
que desse forma ao esquecimento;
Como se fosse possível
os mares desaguarem nos rios.

É tarde meu amor,
muito tarde para me perder de ti;
Trago-te diluída nas veias,
entranhada nestes dias cruéis
que me vão deixando um rasto de salmoura
na pele sofrida.

António Patrício Pereira

fotografia / Irma Haselberger (Áustria)