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Ao princípio respirava
de janelas abertas à brisa solarenga.
Esvoaçavam as cortinas
e a vida dos humanos corpos nos seus humores;
Tempos de imutáveis ilusões.
Dias, havia, em que os homens abandonavam a alegria
e envelheciam,
outros em que partiam;
Sementes de átomos lançadas aos sonhos
feitos carne levados pelas estações.
Testemunha silenciosa
quando o sangue cansado entupia as veias
e os corpos arrefeciam esquecidos de respirar;
Ventre de todos até ao último movimento cardíaco
soar na ausência dos dias.

Agora o tempo tece a solidão em teias de pó
e as silhuetas brincam
com o vento que entra pelos vidros partidos;
Fôra casa e pele é agora epitáfio
de humanas vontades.

António Patrício

fotografia / Niki Feijen (Alemanha)