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Sou um homem vulgar;
Nada de especial a assinalar.
Vejo as horas crescerem dias
e os dias amadurecerem noites.
Para manter as mãos ocupadas,
e a imobilidade não me doer nos ossos.
vou enfeitando as sombras com nadas…
nadas meus, que só eu sei ler;
coisas de pouca importância
para o rumo das estações
ou para o ritmo migratório dos pássaros.
Bebo os ventos para matar a sede de viajar,
de sair de mim…
Navego olhares pelos mares interiores,
degredos meus
em voluntárias condenações.

Sou um homem vulgar,
viajo no limite do meu corpo;
Este corpo sem tempo
que ainda leva alguns sonhos
mas que já perdeu o desejo de eternidade.

António Patrício Pereira

eu-fala

fotografia / Egídio Santos (Portugal)