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O que de mim fica é muito pouco
depois do escamar da pele nestes dias de canícula.
Fica a tristeza muda,
diluída nos lamentos da voz.
Fica este olhar húmido;
lágrimas escondidas
do vento que sufoca o respirar
das árvores e dos homens.

Já nem a noite se desnuda
de luz,
já nem os sonhos se quedam nos humanos corações
voam para longe como pássaros,
desorientados
perdidos da vontade,
alimentam o braseiro
em desespero.

António Patrício Pereira

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