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Dolorosamente amanheço
Vou tomando noção
da realidade que me atingiu.
Sem movimento,
quieto.
A manhã,
tirana,
vai entrando em mim
como a luz através dos vidros da janela.
Olho à volta e tudo é imaterial,
só a inutilidade toma forma definida
nas minhas mãos vazias.

Encontro palavras perdidas
restos de pensamentos adiados;
Ou serão desilusões, queimaduras recentes?
Não sei.
Nada sei.
Resta-me o cansaço
que este movimento
de respirar me impõe;
Revolver de pedra com que assassino o dia,
o meu dia.

António Patrício Pereira

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fotografia / Dominic Moriarty (Irlanda)