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As tuas mãos;
berço e caminho de todos Homens;
Aconchego de todas
as auroras.

Trazes nelas a lírica branda
dos silêncios
e a mortalha leve
dos corpos cansados de tanto navegar.

Com elas secas
o sal do rosto dos aflitos
quando apodrecem as horas de cal
no peito dos que vivendo morrem.

As tuas mãos
árvores de ramos delgados
onde os pássaros bebem a sombra orvalhada
dos dias
e eu espanto a minha solidão
nos dias de sentidos crepúsculos.

António Patrício

In Manu tua

fotografia / Natalia Drepina (Russia)