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Ainda tenho tempo para viver
como se pintasse um poema inteiro
no meu corpo, tela que envelhece
esquecida na idade amadurecida das horas.
Já não risco exactidões
com a ponta melancólica dos dedos;
Vou, agora, delineando o contorno dos dias
a tinta permanente
com que escrevo palavras murmuradas
em labirínticas páginas
que morreram imóveis
como o coração dos desiludidos.
E quando a noite chegar
serei subtil transparência nos dias de ninguém.
De mim só o pó que o vento levará.

António Patrício

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fotografia / Rosalina Afonso (Portugal)