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Hoje sinto que todos os meus versos
serão partes incompletas d’um poema só,
triste como a solidão de Nobre

O som é mudo, a voz calou na garganta
e o frio (ou é impressão)
povoa o meu peito deserto

As árvores desfolhadas dão à rua
um estranho ambiente fantasmagórico
deambulada por espectros de cores soturnas

E eu olho indiferente para o abandono que carrego
nas mãos incapazes
estátuas frias onde nem os pássaros cantam o dia

Vou buscando uma réstia de Primavera
neste dia de folhas mortas
no tépido contacto do teu corpo

António Patrício

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fotografia / Brian David Stevens (Reino Unido)