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De pé vou sentindo
o quente nas mãos em concha postadas.
Sorvo a cada respirar o aroma a café.
Olho o que vejo,
para lá do vidro,
os passos ainda dormentes daqueles
que vêm com a boca da manhã.

Um grito chorado
um ralho apressado,
chega da rua que segue o seu trajecto
levando as cores dos chapéus de chuva
para parte incerta.
Os gestos são frios nos que caminham,
o Sol esconde-se nas ruínas dos ponteiros
d’um relógio parado.
Só os homens têm de continuar
a acompanhar a chuva miudinha
que teima em cair sobre os ombros curvos
dos que maldizem o tempo e a vida…

Disperso-me, já não acompanho
o que me vai no olhar…
Agora cheira-me a verde terra o pensar.

António Patrício

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