Etiquetas

, , , , ,

A minha escrita
tão pobre, de meter dó,
principia nos longes de mim e acaba
onde o mar se despede da terra.
Por vezes encontro uma ou outra estrela
caída na esquina de um verbo
incompleto
que, incapaz, não soube acabar.
Muitos são os astros do firmamento mal alinhavadas
que vou riscando em frases disformes…
E os beijos?
A esses já lhes perdi a conta;
Tantas vezes tentados em forma de letra.
Os amores saem-me sempre imperfeitos,
na indelicadeza do poema,
as saudades sabem sempre a sal
e a eternidade nunca a consegui descrever
para a posteridade.
Que falta de jeito a minha
que vou enchendo páginas de tanto e de nada.

António Patrício

Saber precário