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Num céu cor de prata
perco a contagem dos dias…
Sigo o preto crocitar dos corvos,
Embarco na linha do horizonte,
vou espiando a terra em repouso,
deserta,
debruada a verde reflexo.

Nada se move, tudo é estático;
alimento os olhos de juvenis
memórias;
Cinzas de um tempo
que só a água teima em espelhar.

António Patrício

Cinzas de um tempo

aguarela de Maria Da Glória Fernandes (Portugal)