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Prefiro o segredo do teu corpo na linha
que desenho em palavras curvas,
intermináveis silêncios.
Deixa que seja a canção dos meus olhos
a despir a tua voz…

Não digas nada!

Sente a força dos ventos,
das marés, que trago nos gestos
que, impaciente, derramo sobre a tua pele.
Eternidade consumada em páginas
brancas riscadas a vida.

António Patrício

Despir a voz (bloco de apontamentos XI)

fotografia de Ralph Gibson (EUA)