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A rua dos gatos
tem homens sem tempo.
Ao contrário dos homens
os gatos,
da rua dos gatos,
preguiçam o tempo em
bocejos carregados de
vagares.
Ficam ausentes das horas…
Seguem, em demoradas
contemplações,
o deambular inquieto,
errante,
constante, dos homens.
Vidas sem tempo,
alheias ao navegar
dos dias,
escravos de uma existência
temerosa da morte.

E mesmo quando à noite,
os homens,
se escondem das sombras
na imobilidade dos corpos,
os gatos,
da rua dos gatos,
arrumam o tempo
ao ritmo
das suas demoradas
conversas
à luz bruxuleante da Lua.

Dilatado é o tempo para estas
felinas criaturas,
que medem os dias pela vida
e desconhecem a morte.

António Patrício

A rua dos gatos

fotografia de Waldek Wyszynski (Polónia)