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Com estas minhas mãos
ganho o gesto
angular nas palavras redondas do verbo
amar.
Ganho a terra nua,
num tempo prenhe de vida.
Com elas percorro corpos,
caminhos de assombro numa pele
encontrada em relevos
delineada;
Embalo poemas
nos filhos que fiz
numa eternidade procurada.
Com estas minhas mãos
registo o que de mim é premente aridez.
Descrevo a noite para que se torne
dia num tempo de onde os risos
são ausentes…
Em silêncios cantados
seguem à margem deste corpo,
prisioneiras da vontade.
Com estas minhas mãos
desenho brandas liberdades,
futuros desejados,
onde acaba o gesto e começa
o inevitável respirar.

António Patrício

Com estas minhas mãos

fotografia de ATIS