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Digo em voz baixa,
para não acordar o corpo,
os plenos vales por onde se espraia
a solidão dos pássaros.
Serpenteados trilhos que percorro
em noites que o entendimento é companheiro,
ausente, deste tempo de que sou prisioneiro.

Semeio flores de inquietação
nesta terra deserta que atravesso
e que me corrói a nitidez dos dias
que vivo..

E na noite que se arrasta velha de horas,
agarro-me à tua presença, rocha firme,
de sossegos feita
para não enlouquecer.

António Patrício

Nocturno inquieto

fotografia de Jeanloup Sieff (França)