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Procuro a linha recta da Lua,
reviro lunares carateras,
terrestres corpos,
pergunto às estrelas pelo que não vejo.

Nesta generosa loucura,
vou varando os dias de ponta a ponta;
faço, de memória, o caminho ao contrário
revejo cada margem deste sopro que sou.

Desço ao mais fundo deste barro
que me molda os membros;
subo à mais alta das pressas…
Resmungo impropérios em silêncio.

Busco ângulos congruentes;
vou somando raiva, desesperadas vontades
em partes iguais neste procura insana.
Interrogo os ventos agitados…

Perco os tempos,
deponho a cabeça nas mãos;
desalentos do cansaço,
mas não desistirei de me encontrar.

António Patrício

Sopro de vento