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Devagar vou retirando
abismados tesouros
da breve caixa de cartão.

Ao olhar mais desatento
é o nada que contém,
mas juro que está cheia
de segredos nunca ditos.

Bocados de Lua,
doces olhares,
pó de estrelas cadentes
em dias de trovoada,
gestos teus em ternura
moldados,
um ou dois raios de Sol
tombados por ti nos debraçados
momentos de enlevo
do sideral astro.
Ainda por lá estão
umas quantas lágrimas
de saudade.
Palavras já são poucas
as que a caixa tem;
Vou-as gastando
nos poemas que escrevo.

Volto a guardar
em tranquilos vagares
os bens que tenho.

Fecho a tampa
da breve caixa de cartão,
e deixo-me acompanhar
por um sorriso sereno.

António Patrício

Breve caixa de cartão (poema de algibeira XL)