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Uma casa,
sem cortinas, sem janelas,
uma casa,
fechada a porta que sentinela
em pé se mantém.
Quatro restos de parede ao alto
sem telhado, sonho perdido.
Por uma frincha entra um raio de luz,
ao centro do chão da casa
que não tem telhado
nem janelas,
onde não existem cortinas
e a porta se mantém de pé,
está um lamento vermelho,
esperança sobrevivente.

Ao longe morrem os homens
agarrados ao peito,
voam corpos em todas as direcções
tombam vontades.
Grita o aço, rebentam os seres,
Alucinada arde a terra,
em horas imperfeitas, carnívoras.
Arame farpado
onde são prendidas as almas,
rios de sangue…

Na casa
minutos de chumbo
o vagido de uma criança
risca o céu,
abre abismos de espanto,
rasga estrelas no negro
tempo dos cadáveres.

António Patrício

Tempo dos cadávers