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Abro fendas no silêncio
das estáticas horas nocturnas,
rituais de palavras compostos,
ecos gelados na pele sentidos.
Ajeito os infindáveis panos da alma
ao corpo… Respiro penumbras.
Ergo catedrais aos sonhos ,
inocências perdidas num tempo
longe que foi.
Chego-me a ti, animal feroz;
bárbaro pelo desejo devorado.
Faço do teu corpo sentido
bálsamo para a cansada agonia
das horas.
Perco-me no vazio saciado,
vácuo que não ouso preencher…
Na quietude do movimento
adormecem os olhos.
Imploro aos deuses o perdão dos dias;
a salvação das
transfiguradas madrugadas.

António Patrício