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Visito velhos alfarrábios ,
pó nas estantes esquecidas.
Tempo encadernado
em vertical aprumo.
Volto páginas,
pensar alheado.
Quantas mãos amaciaram
o manchado papel?
Vidas narradas em dedicatórias
a azul riscadas;
Amizades perdidas,
amores esquecidos…
Nomes ausentes à morte
abandonados deixam óbito
ali marcado.
Abro o desfile contido
da escrita alheia;
sorrio ao “eternamente teu”
que golpeia a página.
Verdade estática
que nas minhas mãos repousa.
Volta o livro para a prateleira…
Volto eu à realidade
dos meus dias
onde mergulho bem fundo
no quotidiano
sem dedicatória aparente.

António Patrício