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Fecho todas as portas
em que habito o meu corpo.
Faço do limitado espaço
depósito de todos os sentimentos.
Entretenho a solidão com espelhos
onde a minha imagem se reflecte
infinita.
Deixo o coração sossegar
em compreendidas ignorâncias.
Procuro-me nas imagens que sou,
tão repetido.
Dispo máscaras rosto a rosto,
pernoito nesta voluntária prisão.
Olho interiores, sonho exteriores,
gente apressada, luz, movimento
barulho…

As paredes sujas de palavras
que atiradas foram durante o sono
agora acordado.
Recomeço… Vou reconstruindo,
em esgares velhos de tão ensaiados,
a pessoa que todos vêm;
pura ilusão que imponho.
Pego chaves, abro portas
e volto ao mundo onde esgoto
a vontade a cada hora que passa.

António Patrício