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À parte invisível de ti chegarei
ainda que distante
Habito o longe, sonho o perto;
vou mitigando solidões,
caminho pelas veias da urbe,
passos cruéis.
Quero ser grande e fixar os teus
gestos… Mas não!
Vivo de reluzentes fraquezas
encalhadas no meu corpo,
navio preso nas areias
da tua praia.
Em mim perco as marés,
ganho as palavras
com que te dispo em
desajeitados poemas.
Fosse eu dono de toda a verdade
dos dias e, ainda que distante,
chegaria à tua parte invisível.

António Patrício

fotografia de Akos Major (Hungria)