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Dispo a pele que me cobre a carne
ao ritmo da chuva que cai.
Encosto a cabeça à parede fria, molhada.
Deixo-me ficar, parado em alucinadas
recordações do teu corpo.
Abandonada morre a esferográfica
na minha mão,
amarelece o papel, vazio de palavras,
na esquecida espera.
Desço ao fundo deste mar,
degrau a degrau
e espero que a maré me leve
sonho fora,
velas enfunadas pelo desejo
deste meu corpo,
no teu, em carne viva sentido.

António Patrício

Em carne viva

fotografia de Dariusz Klimczak (Polónia)