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Alguns poemas
são exílios por onde deambulo
estados de espírito.
Amores caídos em desgraça,
desprendem-se da voraz realidade
para o papel; lamentadas
palavras…
Voam aladas imagens
sobre mares de coisa nenhuma
num magnifico abandono
de sorrisos saudosos.
Cada verso um pressentimento
pulsante de vida
mesmo nos tempos de letras
mortas no final da viagem.
Conto memórias, arquivos
intemporais,
canto corpos imaginados
nas margens do desejo.
Desmonto, pedaço a pedaço,
o que sou em escrita miúda.
Rendilhados de linha fina
com que vou enfeitando
perdidos momentos deste
por vezes, entorpecido percurso.
Breves as alegrias,
fragmentos de um diário
que não é meu…
E assim vou adormecendo os dias
em que escrevendo me reinvento.

António Patrício

fotografia de Dulce Maria (Portugal)