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Os dias têm passado buliçosos
pelas arcadas da vida
que não há muito deixaste, minha amiga.
Foram tempos de espanto, de raiva.
Desordem das emoções
em que as palavras ficaram ausentes
por força dos apertados nós
que me estrangularam a garganta.
Hoje faço do incrédulo desgosto
profunda saudade.
Revejo-te em imagens,
desbotados momentos,
pela objectiva fixados.
E vou-te contando,
em olhados silêncios,
o ritmo das marés, força dos ventos,
o calor do sol…
Os homens continuam a vaguear
pela sua tão frágil condição;
é sina dos que ficaram por cá
e de que tu te libertaste.
Sorrio em resposta a um sorriso
aprisionado para sempre
nas memórias que em mim se mantêm.
Acredita, minha amiga,
julguei-me um fraco ser
ao saber da tua finitude anunciada.
Queria eu ser como tu,
imensa serenidade perante a absurda verdade.
Já o hoje é feito de resignado manto
em que envolvo o lamento.
Mas, queres saber? Ainda é o teu tempo.
E que não cante vitória a que te levou,
porque derrotada foi no meu coração
onde te guardo em acompanhados
momentos pelo teu sul desfiados.

António Patrício Pereira