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Morro e renasço
para tudo compreender em mim.
São sinais destes arqueados dias;
galopes inplacáveis
pelas ruas da existência
em momentos de confusa fadiga.
Busco augúrios no voo das aves,
plumagem a negro riscada no azul
gritado desta incerteza
que me tolhe o gesto;
na dança das folhas,
que o vento força a vertiginoso baile;
nas dispostas pedras da calçada,
desenhos enigmáticos como
a vida de quem os destinou…
E nada me é revelado pelos deuses.
Em toda a procura, esperança;
tantas vezes derrotada pelos demónios
que teimam em enlaçar o que sou.
Desfilam pedaços de rostos, de almas,
pelos meus cansados olhos
que nada dizem…
Vagueio neste presente,
incerto ser…

António Patrício

Augúrios (tentames para um conhecimento)

fotografia de Dariusz Klimczak (Polónia)