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Nesta escada
que só um louco mantém
subi alto no azul dos céus…
Cuidados tive na persistente
escolha…
Esta não!
Um pouco cinzenta
em demasia…
Aquela outra… Também não!
Não era bem o que eu queria…
A seu tempo foi
encontrada a que servia…
Branca de pasmar,
aqui e ali uma pitada de doirada luz solar…
Fiz-lhe um laço…
e pelo fio a puxei…
De mansinho,
que estragada
não era de serventia…
Quando, aqui, ao verde chão chegado,
o objecto que às alturas me levou
arrumei no bolso dos sonhos.

E sem muito atinar,
caminhei em sobressalto
pelas ruas de espanto tomadas…
Nunca se vira nada assim!
À tua porta bati,
coração desenfreado…
A nuvem ao firmamento roubada
ofereci-ta eu pelo barbante tomada.

Da vida fiz tanto tempo passado,
mas o teu sorriso guardo na memória…
Do beijo que na face me foi dado
o sentir mantenho por entre as rugas
deste rosto cansado.
Mas o que mais gosto,
neste presente de histórias narrado,
é do teu olhar ao meu lado embalado.

E a nuvem?
Tivemos de a deixar voar…
Criava muita humidade
nas paredes da nossa existência.

António Patrício

Desta minha tão grande loucura

fotografia de Dariusz Klimczak (Polónia)