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Vou desfolhando momentos,
memórias que de tão longe vêm,
páginas carregadas do que antes foi gesto
e hoje é incessante quietude.
Lamentos são saudades
do que não mais será vivido.
Incompleto presente orfão de futuro.
Ao deus-dará projecto perplexidades,
murmúrios interiores, indefinidos porquês.
Procuro, ainda, a tua sombra no caminho
que nos mantém.
Vou quebrando a força de tanto querer;
mergulho dolorosamente na razão…
Estranhos são os tempos
onde repousam incrédulas as palavras.

E num rosário de lágrimas caladas
vou maldizendo a morte que te levou,
e a vida que te abandonou!

António Patrício