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Que importa
o corpo de ilusões alimentar,
o ar da madrugada respirar…
a terra conquistar em refregas mil,
o tanto lutar por um querer que não vem…

Ser senhor do mundo por sangue derramar.
Cavalgar os ventos e as tempestades.
Fazer da traiçoeira morte, aliada.
Gritar dores em prantos de saudade…
Será que ainda importa?

E a doce luz da madrugada,
a noite de universos povoada,
o satélite misteriosamente brilhante ,
o cometa, incansável viajante…
Que importam?

O azul e espumoso mar de Outono,
as rosas vermelhas do sereno Maio,
a cascata, vida da montanha mais alta,
os verdes campos, seiva derramada …
Já nada importa.

Que importa
a vida em ilusória esperança
caminhar
se o teu cândido sorriso
perdido foi no fulgor da batalha?
Tão grandes lamentos,
que importam?

António Patrício