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Hoje vou fazer silêncio.
Calar estas vozes que trago em mim,
deixar as memórias em repouso,
à saudade dizer não!
Beber em plenitude a fraca luz diurna.

E se a sombra que projecto nos dias
outra vontade tiver
e em desafios ousar…
No esquecimento a farei agonizar.
Firmeza do meu férreo querer.

Peço apenas a quietude cinzenta
dos chuvosos dias,
vislumbres adivinhados
através dos embaciados vidros,
reencontrados fantasmas, tão antigos.

Falar em silêncio
sem proveito alcançar…
Pois que se seja; se é minha vontade!
Nem sempre pode o Homem
da palavra fazer sentido.

António Patrício