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Seguro as ruínas da confiança,
que perdida se estilhaçou
quando o meu olhar a tua pele tocou.
Foi o sobressalto que no peito,
sem pedir, se veio em desalinho instalar.

Ser eu destemido e dos audazes
ter a coragem…
Da voz fazer palavra, instrumento,
desta tão grande ansiedade
que a lavrar no peito trago.

Do teu sentir ser eu objecto…
Já um simples gesto seria fortuna.
Desejo, ventura que não alcanço,
pois se tão esquiva imagem para ti sou.
Insignificante sombra no teu caminhar.

Se tanto é o sofrer antes o desterro,
às galés a condenação.
A desenganada esperança chorar.
Mal fadada sorte é desalento,
e as dores alimento do parado tempo.

Se viver é mister, destino meu,
e tão humano querer de amor sentir,
que o não seja em forçados desgostos.
De que servem as infligidas penas?
Antes a vida sem o desejo perder!

António Patrício

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fotografia de Dariusz Klimczak (Polónia)