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Porque demoras?
Já o meu corpo é saudade,
e o tempo pranto
respirado
nesta espera tão dorida.
Porque partiste
sem momento de voltar?
Porque deixaste este vazio?

Visto a tua pele,
aconchego
o frio ao quente corpo
que já foi meu,
embriago-me
com o teu perfume.
Na minha face uma
melancólica ruga amanhece.

Condenado a este tão longo
sofrimento
vai a letra do teu nome
envelhecendo.
De que te vale a ausência
se as águas correm sem atraso
para o mar?
Na sombra da tarde presente
da cidade em que me perco
vou escrevendo sem atinar porquê
se há tanto me deixaste.

Num fio de voz lamento…
Porque partiste
sem momento de voltar?

António Patrício