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Sal desta terra,                                                                                          que me corre nas veias começado,
em atlânticos mares navegado.
Da fome fiz viagem,
que os sonhos eram poucos
e a terra madrasta…

Rasguei mundos e rumos.
Dobrei cabos que se fizeram Adamastores.
Em podres madeiras, talhadas por mãos rudes,
naveguei pacíficos mares revoltos
(que os índicos eram sem fim)
e dei tantos homens às águas…

Com povos e gentes
fiz comércio, fiz guerra e filhos…
Que a carne é fraca e o desejo
mais forte que a razão.
No crepúsculo dos dias,
chamei casa a outros mundos.

Hoje, sal desta terra e de outras
que a memória já esqueceu,
numa mão guardo a vida que vivi.
Na outra, o desconhecido que projecto em mim:
ser sempre começado e nunca acabado.
Vou em busca de novos mares… E são tantos.

António Patrício Pereira

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