Etiquetas

, , , , , ,

Aqui, debruçado sobre a vida,
de olhos bem abertos,
mergulho neste mar imenso
que nas veias me corre.

Nesta espuma sonhada pelos dias,
penso sem tempo nem medida
no quanto em ti serão
vidas sentidas, vidas perdidas.

Senhor de eternos abismos,
dono da eternidade esquecida,
revolto, teimoso                                                                                      como os homens
que no teu leito salgado esqueceram…

Gaivotas gritam maus augúrios.
No rosto bate-me o vento, bate-me o lamento
dos que procuram o perdão dos Deuses
nas lonjuras das tuas marés.

Almas fechadas na dor sentida;
Gritos estrangulados que no peito calam;
Lágrimas acres sulcam os rostos
dos que vivendo morreram também.

António Patrício Pereira

fotografia de Francisco Figueiredo (Portugal)

Anúncios